Eu voltei para casa pensando em coisas, como sempre. Meu dia não tinha sido de fortes emoções, a não ser o desabafo para o mesmo ombro e as palavras trocadas em outro idioma com a mesma turma. Bem, ainda havia a “revelação” da aula da noite. Certo, não uma revelação, mas um punhado de palavras bem-intencionadas que me intrigaram.

Ser envergonhada não é só uma característica, mas às vezes acho que posso considerar um defeito.  Ruborizar em algumas situações ou ao se aproximar de algumas pessoas é o mais trivial que pode acontecer comigo. Não deveria ser, mas é.

Sinto culpa por isto e tento achar razões. Ou é o meu jeito, ou é a “bolha” onde eu me acostumei a viver, ou é a rigidez com a qual fui criada. Mas pode ser que… Enfim, você sabe, pode ser que não seja nada disso e eu só precise de algumas doses de tequila e de um punhado de desprendimento.

 

Quando abri meus olhos naquela manhã, uma lembrança me veio. Não era de uma mesa de bar. Não era do beijo daquele carinha da festa. Era mais intenso, mais sincero, mais nostálgico. Já não era a primeira vez – e nem seria a última – que pensamentos como esses chegariam assim, surpreendendo.

Tentei achar a origem daquela sensação e me veio à mente a noite anterior. E que linda noite! O céu estrelado e os diferentes tons de azul combinando perfeitamente com a praia na qual passou boa parte de sua infância. A areia estava fria, porém fofa; o mar não estava revolto e a  temperatura da água estava agradável. Tranquilidade, como uma boa praia do interior. Mais perfeito, não poderia estar.

Pensei em minha trajetória, no quanto tinha aprendido e no quanto ainda faltava aprender. Desejei coisas não-materiais – naquele momento, elas não tinham a menor relevância. Bem pertinho, estavam algumas das pessoas mais valiosas que conhecia. Sangue, sobrenome, genes, tudo isso em comum: “e o bloco da família vai atrás”!

Ainda assim, havia aquela necessidade de expressar o que sentia (especialmente em relação ao céu). Todos se retiraram para descansar, havia sido um dia cansativo. Todos menos uma pessoa. Sim, ainda havia disposição em mim para escrever. Já era madrugada e eu ali, luz da sala acesa, um caderno, uma caneta, minha vontade e meus pensamentos. Em seguida, dando-me por satisfeita, fui dormir.

Quando abri meus olhos na manhã seguinte, existia a paz interior e um novo ano para descobrir e para viver. Era primeiro de janeiro e aquela manhã parecia ser comum, a não ser pelo sentimento de boas energias pelo ano todo. Foi o que pedi intensamente. Acho que estou sendo atendida.

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BlogSintonizados

Será que é o tempo nublado que me influencia nas decisões que estou prestes a fazer?

Será que essa “ressaca” é a mesma que eu sinto?

Eu ainda não sei se posso vir a me arrepender. Nem saberei, se não tentar.

Posso tomar o caminho impulsivo e tortuoso ou permanecer e encarar algo torturante.

Na verdade, já estou inclinada a uma decisão.

Resta-me assumi-la, estar ciente de suas consequências e não desistir.

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escrito em 28 de junho de 2010.

Não fossem aqueles passos quase

perdidos rumo àquele salão

famoso da faculdade…

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Não fosse a quase interminável

roda de truco que adiava mais

e mais a sua ida para casa…

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Não fosse tudo isso, seria quase a

mesma coisa: sem a voz e o

olhar daquele cara tão diferente…

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Poderia não dar em nada, e quem

sabe não daria mesmo, vide a

distância e o afastamento que

chegou depois.

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Ora, o que importava?

Era alguém diferente

para seu gosto exigente.

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escrito/finalizado em 25 de agosto e 7 de setembro de 2009.

“Observei o anoitecer calmamente. Era verão, mas eu não o desfrutava como a maioria. Aliás, sequer o desfrutava. Já fazia meses que eu estava naquele quarto branco de hospital, dormia numa cama alta de hospital, sentia o cheiro de comida de hospital. As pessoas, lá, eram gentis. Mas aquele não era meu lar. Nunca quis viver por muito tempo no centro da cidade, gosto da calmaria dos lugares mais afastados. Mas não tinha escolha. Aquela era uma situação difícil para mim e para todos.”

Naira, ao escrever, sentiu-se escrevendo sua autobiografia. Parou. Não queria que aquele projeto de texto tivesse um tom, talvez, banalizado. Ela precisava escrever sua história, mesmo que só ela tivesse acesso e relesse tantas e tantas vezes.

Continuou:

“Soube da doença, mas ela foi fulminante. Não deu tempo. Larguei tudo em casa para dedicar-me ao hospital por inteiro: da cama ao banheiro, volta pra cama, troca de roupa, sai a caminhar lentamente pelos corredores, chega à sala para fazer novos exames, o que será que está acontecendo? De volta ao quarto, familiares chegam, bem como os atenciosos enfermeiros, médicos aparecem para fazer suas visitas… de médico, chegam as refeições, maçã, sopa, pãozinho, leite, geleia. Alimentar-se é difícil, cada vez mais e…”

Aquelas lembranças são demais para Naira, que chora compulsivamente. Não queria guardar essas lembranças tão tristes de sua mãe. Não queria passar pela próxima etapa, a de vê-la em um caixão de madeira. Não sabia como seria seu mundo dali em diante. Apenas rezou para que sua querida mãe protetora estivesse melhor em sua nova morada, livre do sofrimento, da dor, dos remédios e de todo aquele ambiente triste de hospital.

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escrito em 23 de junho de 2009.

As velhas sensações. Ou a vontade de ter aquelas velhas sensações. Uma vontade mista, que se confunde. Apaixonar-se ou aproveitar? Sensação de apego ou a liberdade? Ter aquele mesmo colo que conforta ou não se prender a esses detalhes, apenas sentir a música alta, a energia, o prazer?

Parece que as coisas mudam. Ou não, elas continuam sendo sempre as mesmas. A gente pensa em ser moderno e sair da rotina, sair de tudo que nos faça lembrar coisas certinhas e burocráticas. Isso em um primeiro momento – o segundo é  o da carência. Aiquedelícia curtir um parque e tomar um sorvete nesses dias calorosos e convidativos (quando não estão chuvosos e cheios de desastres por aí afora).  Nunca mais a mesma coisa.

E os dias se seguem, as vontades também. A cada dia uma, uma mais irrealizável que a outra. Será mesmo? Ou então tudo depende de uma forcinha não só dos astros, mas nossa?

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